Confesso-te hoje...
O medo que carrego no coração por saber que te vou tendo.
Vamos construindo um castelo com as nossas conversas com o protagonismo de um príncipe que se quer tornar encantado e uma Cinderela desajeitada de sapatilhas que toma em si uma muralha densa e indestrutível.
Confesso-te hoje o que no passado nunca previ
Este carinho que estou sentindo por ti
Confesso ainda que muito antes do dia 14 de Fevereiro eu te achava um lobo mau
Estavas longe de pertencer as minhas histórias, aos meus textos…
Tu, sim tu caminhavas longe da minha vida. E talvez do meu destino. Intuito duvidoso quando estou longe de ti, harmonioso quando os teus lábios tocam os meus e os teus olhos me segredam: estou bem aqui. E assim torna-se mais fácil contar esta história, vivê-la e um dia será apenas mais uma história do Era uma vez o Fim chegará e o principio permanecerá.
Beijinhos para ti.
Cátia Castanheira
segunda-feira, 6 de abril de 2009
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Corpos ausentes
As mãos estenderam-se, os olhos brilharam em união, a voz cantou no silêncio de olhares tímidos para que os sorrisos dançassem. Os corpos existiram na razão, que desconheço.Hoje só, apenas um corpo por si no meio de tantos outros que passam. São hoje só dois olhos que vêem mas não reparam. São mãos desassossegadas que agarram tudo e não sentem nada, não pegam a força do mundo nem a empatia dos lugares, não sentem o medo de um desejo nem a adrenalina de o viver.
Chegou a Primavera e eu não sinto.
As noites são longas e trazem a saudade de volta o tempo não chega para explicar este vácuo, esta ausência incontrolada que se fixa nas silhuetas do meu corpo.E quando saio para a rua tento respirar o vento e tudo o que sinto é frio.
Cátia Castanheira
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Mistura
Atrás da máscaraEla é fraca.
Esconde-se
E sorri baixinho,
Ela envergonha-se e diz que é parva.
Finge o Amor que sente.
Por detrás, está um pensamento constante e Honesto.
Uma vontade de viver,
A timidez...
A inocência...
Da criança que brinca com bonecas.
À frente da máscara estão os olhos,
Insinuam uma adolescente
Forte, Destemida.
E ainda a boca que vomita palavras
Grosseiras, sem sentido...gargalhada(mente) fúteis.
O nariz Empinado. Cobarde.
Os lábios são a fronteira
Uma mistura de essência com aparência
Uma mistura de essência com aparência
Ela é assim,
A máscara que usa transformou-se numa defesa habitual dos seus medos...
Se ao menos conseguisse tirar a máscara
Seria bonito ver quem realmente sois.
Seria bonito ver quem realmente sois.
Cátia Castanheira
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Reproduçao
Foi ali mesmo naquele espaço pouco aconchegado.
Foi junto á parede rosa que vi caírem as tuas lágrimas apavoradas, onde ouvi os soluços de um acorde desafinado que entrava no tempo certo do meu compasso, as minhas linhas melódicas estavam na expectativa de que pudesses compor uma música, quiseste apenas rabiscar uma pausa para que ouvíssemos o silêncio de que falavam os nossos olhos, desejaste só ficar comigo esperando o que tinha para te dar. Nunca antes tínhamos composto uma melodia assim, ficou gravada.
Cátia Castanheira
Foi junto á parede rosa que vi caírem as tuas lágrimas apavoradas, onde ouvi os soluços de um acorde desafinado que entrava no tempo certo do meu compasso, as minhas linhas melódicas estavam na expectativa de que pudesses compor uma música, quiseste apenas rabiscar uma pausa para que ouvíssemos o silêncio de que falavam os nossos olhos, desejaste só ficar comigo esperando o que tinha para te dar. Nunca antes tínhamos composto uma melodia assim, ficou gravada.
Cátia Castanheira
sábado, 3 de janeiro de 2009
CSFC

Uma camisola azul-bebé que outrora fora escura tem colado a sigla CSFC que bate no peito e no suor árduo daquelas que transportam ao sábado uma mala laranja.
Calcem as sapatilhas, atem com devoção os vossos atacadores lisos, coloridos ou com estrelinhas, deixemos-nos levar pelo sonho. Olhemo-nos com confiança, sejamos nós próprias uma bola, a escorregar pelo piso, ambicionando que lutem por nós, sejamos nós a movermo-nos umas ás outras, vamos gritar Golo até que no coração se faça sentir o prazer de jogarmos juntas.
Ainda bem que vim e vos conheci, aprendi que a grandeza de uma jogadora não é só sair vitoriosa, a grandeza de uma jogadora é conhecer outras jogadoras, treinadores e assistentes e sentir orgulho por aquilo que somos e pelo nosso nome.
Calcem as sapatilhas, atem com devoção os vossos atacadores lisos, coloridos ou com estrelinhas, deixemos-nos levar pelo sonho. Olhemo-nos com confiança, sejamos nós próprias uma bola, a escorregar pelo piso, ambicionando que lutem por nós, sejamos nós a movermo-nos umas ás outras, vamos gritar Golo até que no coração se faça sentir o prazer de jogarmos juntas.
Ainda bem que vim e vos conheci, aprendi que a grandeza de uma jogadora não é só sair vitoriosa, a grandeza de uma jogadora é conhecer outras jogadoras, treinadores e assistentes e sentir orgulho por aquilo que somos e pelo nosso nome.
Cátia Castanheira
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Tempos.
Haviam brinquedos espalhados pelo barro da eira, faziam-se bolos de areia por mãos pequenas e inocentes e ouviam-se histórias da vida e orações enquanto o luar atravessava a janela no canto do quarto com quatro paredes brancas e gastas.Não esqueço as badaladas que o sino lá no alto do vale fazia suar no romper das horas e recordo-me de quando a avó te pedia ‘- Deixa a Catita dormir hoje no meio. E tu respondias ‘-Não, eu vim para aqui primeiro. Julgava-te arrogante, naquela altura nem sabia qual era o significado disso e depois pela manhã esquecia quando tu dizias ‘-Bom dia, dormiste bem? Eras meiga e imploravas para que voltasse.
Eu voltava e ainda hoje volto, mas já não encontro os brinquedos ocultados pelos caixotes do tempo e há muito que o vento comeu os bolos de areia e o barro afundou-se pelo cimento da eira hoje modificada pelas mãos fortes e corpos mobilizados por interesses de trabalho sem a mínima inocência.
Hoje continua a janela ao canto do quarto de quatro paredes mais claras que cheiram a fresco e a novo. Haverá sempre na minha memória um corredor com um quadro de família.
Haverá sempre e para sempre no interior do nosso olhar duas crianças que cresceram inseparáveis.
Cátia Castanheira
domingo, 23 de novembro de 2008
[Pára de fazer sentido]
Era uma vez um cão peludo e careca que gostava de nadar, e num dia de sol á noitinha morreu afogado na terra.
O cão miou aflito de satisfação e disse - estou morto!
Saiu da terra todo molhado e começou a correr devagar para ver se ouvia a Roxinola Caracola que era a mais velha da Selva onde não havia ninguém, pelo caminho o cão lambeu o dorso com o nariz e cheirou umas flores bonitas com a língua, decidiu apanha-las com as mãos para oferecer à Caracola.
Encontrou a Caracola que era doida da tola que estava a chorar desalmadamente, o cão preocupado e a sorrir perguntou:- O que tens Caracola?
Ela respondeu : - A minha vida não faz mesmo sentido.
O cão puxou um lenço do bolso e limpou-lhe o rosto, sentaram-se num banco de madeira que era de pedra e ele ofereceu-lhe as flores.
- As coisas boas da vida nem sempre têm que fazer sentido.
Cátia Castanheira
O cão miou aflito de satisfação e disse - estou morto!
Saiu da terra todo molhado e começou a correr devagar para ver se ouvia a Roxinola Caracola que era a mais velha da Selva onde não havia ninguém, pelo caminho o cão lambeu o dorso com o nariz e cheirou umas flores bonitas com a língua, decidiu apanha-las com as mãos para oferecer à Caracola.
Encontrou a Caracola que era doida da tola que estava a chorar desalmadamente, o cão preocupado e a sorrir perguntou:- O que tens Caracola?
Ela respondeu : - A minha vida não faz mesmo sentido.
O cão puxou um lenço do bolso e limpou-lhe o rosto, sentaram-se num banco de madeira que era de pedra e ele ofereceu-lhe as flores.
- As coisas boas da vida nem sempre têm que fazer sentido.
Cátia Castanheira
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Rascunhos :)
Rasto de folhas de papel, enrolam-se as páginas em ciclos viciosos que perturbam a alma branca traçada por linhas planas interceptadas por riscos não tão perfeito quão a plenitude de um lápis aparado. Escrevem sobre pensamentos e actos, redigem o correcto e incorrecto, desejam a perfeição das suas próprias e ridículas ambições.Gracejam das letras minúsculas e temem as maiúsculas.
Em mim tenho em posse a mão que tem no seu conteúdo um pouco de inspiração que me permita ir mais além das ultimas frases expostas, arrisco fechar os olhos e sentir as mãos a quererem agarrar as emoções que traduzo por palavras e sem eu dar conta as veias a encheram-se de um liquido transparente que no momento de auge ejectam a inspiração interior.Redijo, apago, risco e retrocedo. O Prazer de escrever é me
indescritível, nasceu inacabado e vai crescendo...Completa-me.
Cátia Castanheira
Em mim tenho em posse a mão que tem no seu conteúdo um pouco de inspiração que me permita ir mais além das ultimas frases expostas, arrisco fechar os olhos e sentir as mãos a quererem agarrar as emoções que traduzo por palavras e sem eu dar conta as veias a encheram-se de um liquido transparente que no momento de auge ejectam a inspiração interior.Redijo, apago, risco e retrocedo. O Prazer de escrever é me
indescritível, nasceu inacabado e vai crescendo...Completa-me.
Cátia Castanheira
sábado, 19 de julho de 2008
A tela .
Insiro o pincel na tela mergulho-o no verde dos olhos, no castanho dos cabelos, no bege da pele, rodo-o misturo um sem fim de cores na tentativa de encontrar a cor ausente.
Disperso-me pela tela, em linhas rectas procuro o meu caminho, é neste quadro que anseio pela mão do artista.
Miro a sombra que paira sobre o chão, meramente a minha sombra que corre pela alcatifa da sala do pintor, tentado esconder o meu ego, talvez seja o medo de ele ficar marcado no quadro…
Anseio pelo esboço, anseio pela cor ausente…anseio rasgar o papel e apagar os riscos mal feitos do passado.
Eis o dia em que ele me pinta, traçando o destino de um corpo que perdera a cor, um corpo que se separa da sombra, um corpo que já não o é.
Violentamente atira a minha alma dorida e confusa para um pedaço de pano onde pinta os seus quadros, e dá voltas e voltas ora um pouco de preto ali, um pouco de rosa ali, agora azul…mais um risco outro e outro risco.
Resta a sombra que ainda dança pelo corredor, e em momentos de sol, esconde-se atrás do ombro do artista apreciando a obra de arte a que eu mesma me sujeitei, na verdade entreguei-me ao dono do pincel que anos mais tarde morrerá.
Transformei-me num quadro de corredor de uma casa abandonada onde em cantos obscuros ainda se ouve os gritos de medo, nas gavetas das mobílias guardam-se nostalgias, e as paredes começam a perder a cor, o tecto começa a desabar, mas ainda na alcatifa mora a sombra que antigamente fugia da tela.
Por entre tempestades, entre os raios de sol, entre a noite…o abstracto e o real, entre a vida, confusões, na solidão … ainda resta a sombra que protege o ego.
Cátia Castanheira.
( Para ti Lena :).. )
Disperso-me pela tela, em linhas rectas procuro o meu caminho, é neste quadro que anseio pela mão do artista.
Miro a sombra que paira sobre o chão, meramente a minha sombra que corre pela alcatifa da sala do pintor, tentado esconder o meu ego, talvez seja o medo de ele ficar marcado no quadro…
Anseio pelo esboço, anseio pela cor ausente…anseio rasgar o papel e apagar os riscos mal feitos do passado.
Eis o dia em que ele me pinta, traçando o destino de um corpo que perdera a cor, um corpo que se separa da sombra, um corpo que já não o é.
Violentamente atira a minha alma dorida e confusa para um pedaço de pano onde pinta os seus quadros, e dá voltas e voltas ora um pouco de preto ali, um pouco de rosa ali, agora azul…mais um risco outro e outro risco.
Resta a sombra que ainda dança pelo corredor, e em momentos de sol, esconde-se atrás do ombro do artista apreciando a obra de arte a que eu mesma me sujeitei, na verdade entreguei-me ao dono do pincel que anos mais tarde morrerá.
Transformei-me num quadro de corredor de uma casa abandonada onde em cantos obscuros ainda se ouve os gritos de medo, nas gavetas das mobílias guardam-se nostalgias, e as paredes começam a perder a cor, o tecto começa a desabar, mas ainda na alcatifa mora a sombra que antigamente fugia da tela.
Por entre tempestades, entre os raios de sol, entre a noite…o abstracto e o real, entre a vida, confusões, na solidão … ainda resta a sombra que protege o ego.
Cátia Castanheira.
( Para ti Lena :).. )
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Guerra de Amor.

E eis a exaltação de um grito de guerra.
Fogo que incendeia o coração, fogo de canhões, faíscas de beijos, raios de trovões, lava de vulcões que escaldam os olhos cegos, a nau que arrasta o guerreiro pelas águas da fonte.
Cada bala foi rasgando a farda de Ulisses, a esperança que trazia num escudo de aço roubara-lhe um pedaço de vida.
Fascinado por (uma) Circe fez-se Cativeiro do passado e refém do presente enfeitiçado por um canhão de pólvora com uniforme de varinha mágica…era ao romper da aurora que se sentava no degrau da muralha onde compunha poemas melancólicos inspirados em pensamentos profundos de angústia e desespero.
‘Desejo que se afaste
Choro lágrimas húmidas
Tentado apagar…
O fogo que incendeia o peito
Porém ainda há a sua sombra
Que foge para o abismo…
Abismo em mim,
Tão profundo quão o Amor
Que sinto por si ‘
Passava horas a escrever, enfrentava o batalhão das lágrimas e as memórias sangrentas, além disso rezava aos deuses para que Circe um dia voltasse…tanta vez o fizera que a sua voz começara a enrouquecer, de tanto chorar gastaram-se as gotas da fonte triste que antes lhe inundavam o rosto, as forças gastas na batalha fizeram Ulisses partir, alvejado na alma apaixonada que se tornara somente escura.
O feitiço quebrou-se e um dia ao amanhecer questionou “ O que faço aqui eu?!” erguendo um sorriso lançado por uma pomba branca.
Ainda hoje dentro do cavalo de Tróia guarda os poemas para Circe, a espada da glória, o Escudo alvejado, a farda rasgada e as dinamites verbais.
Fim de guerra…
O coração renasceu, perdura hoje um sorriso brilhante jamais sentido, e na alma…na alma restam as cinzas.
Cátia Castanheira.
Fogo que incendeia o coração, fogo de canhões, faíscas de beijos, raios de trovões, lava de vulcões que escaldam os olhos cegos, a nau que arrasta o guerreiro pelas águas da fonte.
Cada bala foi rasgando a farda de Ulisses, a esperança que trazia num escudo de aço roubara-lhe um pedaço de vida.
Fascinado por (uma) Circe fez-se Cativeiro do passado e refém do presente enfeitiçado por um canhão de pólvora com uniforme de varinha mágica…era ao romper da aurora que se sentava no degrau da muralha onde compunha poemas melancólicos inspirados em pensamentos profundos de angústia e desespero.
‘Desejo que se afaste
Choro lágrimas húmidas
Tentado apagar…
O fogo que incendeia o peito
Porém ainda há a sua sombra
Que foge para o abismo…
Abismo em mim,
Tão profundo quão o Amor
Que sinto por si ‘
Passava horas a escrever, enfrentava o batalhão das lágrimas e as memórias sangrentas, além disso rezava aos deuses para que Circe um dia voltasse…tanta vez o fizera que a sua voz começara a enrouquecer, de tanto chorar gastaram-se as gotas da fonte triste que antes lhe inundavam o rosto, as forças gastas na batalha fizeram Ulisses partir, alvejado na alma apaixonada que se tornara somente escura.
O feitiço quebrou-se e um dia ao amanhecer questionou “ O que faço aqui eu?!” erguendo um sorriso lançado por uma pomba branca.
Ainda hoje dentro do cavalo de Tróia guarda os poemas para Circe, a espada da glória, o Escudo alvejado, a farda rasgada e as dinamites verbais.
Fim de guerra…
O coração renasceu, perdura hoje um sorriso brilhante jamais sentido, e na alma…na alma restam as cinzas.
Cátia Castanheira.
sábado, 12 de julho de 2008
Flutuo.
Difícil é começar…
Difícil mergulhar no mar da desilusão tão cheio de lágrimas salgadas, águas frias que nos embarcam os sentidos.
Mas por impulso decidimos arriscar o quentinho da ilusão pelo gelo da desilusão.
Uma vez envolvidos nessas águas trazemos ainda nos pés pequenos grãos de areia quentes que simbolizavam a ilusão, essa que se mistura nas tais águas da desilusão.
Embora oiça passos e vozes trazidas e levadas pelo vento, a minha alma absorve-se em si mesma.
Mundo pequeno este…ora transportado pelo comboio que pára em cada estação de toda a região embarca ricos e pobres, velhos ou novos, louros, morenos, magros e gordos, crianças e adultos, enfim seguem o seu destino.
Ora navegando na corrente que nos leva…pode-nos levar para longe, para muito muito longe.
Ora agora caminhando sobre a areia quente escutando as ondas do mar que se enrolam na areia.
Olhos nas ondas e digo – Não mar, não quero mais amar as tuas águas frias que fazem tremer…os sentidos.
Prefiro a areia quente onde muitos são felizes, onde escrevo sobre pensamentos constantes e permanentes que chegam a ser intensos dando voltas e voltas no meu interior, onde em paço lento embalada pela balada a minha alma se dissipa, caminhando vagamente e arrastadamente deixa os seus passos…e secretamente sente o mar o amar, a ilusão e a desilusão.
Em segredo respirando ao teu ouvido procurando o embate das ondas nas rochas, ouvindo o teu grito, abraça a tua brisa, sem medo de se afogar na desilusão, podes bem gracejar das bóias do passado, tanta vez tentei mortificar a saudade escutando-te num búzio, e dos castelos de areia que fazia pensado no príncipe encantado, mas hoje aprendi a flutuar.
Cátia Castanheira
Difícil mergulhar no mar da desilusão tão cheio de lágrimas salgadas, águas frias que nos embarcam os sentidos.
Mas por impulso decidimos arriscar o quentinho da ilusão pelo gelo da desilusão.
Uma vez envolvidos nessas águas trazemos ainda nos pés pequenos grãos de areia quentes que simbolizavam a ilusão, essa que se mistura nas tais águas da desilusão.
Embora oiça passos e vozes trazidas e levadas pelo vento, a minha alma absorve-se em si mesma.
Mundo pequeno este…ora transportado pelo comboio que pára em cada estação de toda a região embarca ricos e pobres, velhos ou novos, louros, morenos, magros e gordos, crianças e adultos, enfim seguem o seu destino.
Ora navegando na corrente que nos leva…pode-nos levar para longe, para muito muito longe.
Ora agora caminhando sobre a areia quente escutando as ondas do mar que se enrolam na areia.
Olhos nas ondas e digo – Não mar, não quero mais amar as tuas águas frias que fazem tremer…os sentidos.
Prefiro a areia quente onde muitos são felizes, onde escrevo sobre pensamentos constantes e permanentes que chegam a ser intensos dando voltas e voltas no meu interior, onde em paço lento embalada pela balada a minha alma se dissipa, caminhando vagamente e arrastadamente deixa os seus passos…e secretamente sente o mar o amar, a ilusão e a desilusão.
Em segredo respirando ao teu ouvido procurando o embate das ondas nas rochas, ouvindo o teu grito, abraça a tua brisa, sem medo de se afogar na desilusão, podes bem gracejar das bóias do passado, tanta vez tentei mortificar a saudade escutando-te num búzio, e dos castelos de areia que fazia pensado no príncipe encantado, mas hoje aprendi a flutuar.
Cátia Castanheira
Poesia na veia
Injecto soro na veia
Aniquilo a angustia
Que me incendeia
Acordo os sentidos
E ao fundo há uma luz
Que me encadeia
No silencio da sala
Faço da inspiração
O rastilho da imaginação
Escrevo poesia
Ao ritmo da pulsação
Pula o coração
De tão forte emoção.
Desesperadamente esfaqueio a veia
Instantaneamente é essa a ideia
Se é poesia que me corre na veia
Procuro resgata-la para a minha teia
Desejo sentir na mão
O sangue e sua imensidão
Apalpa-la
Depois rasga-la
Para observar afinal
Do que é feita então.
Cátia Castanheira
Aniquilo a angustia
Que me incendeia
Acordo os sentidos
E ao fundo há uma luz
Que me encadeia
No silencio da sala
Faço da inspiração
O rastilho da imaginação
Escrevo poesia
Ao ritmo da pulsação
Pula o coração
De tão forte emoção.
Desesperadamente esfaqueio a veia
Instantaneamente é essa a ideia
Se é poesia que me corre na veia
Procuro resgata-la para a minha teia
Desejo sentir na mão
O sangue e sua imensidão
Apalpa-la
Depois rasga-la
Para observar afinal
Do que é feita então.
Cátia Castanheira
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Máscara desenhada.

Tinta, riscos e linhas cuidadosamente traçam o rosto dos que tentam ocultar algo.
Assumem então o papel de palhaço, desenhando-lhes no rosto um sorriso aparentemente límpido, e ao redor das pupilas as linhas que rasgam o olhar como se facas que lhe rasgam a alma desmoralizada na tentativa de esboçar na pele um olhar cristalino.
A roupa tenta disfarçar os ombros tombados da esperança que se perdeu algures no tempo.
Quando a máscara cai, revela-se a fraqueza, e pequenas gargalhadas que se tentam esconder atrás das palavras lançadas pela voz grosseira e fútil, mas de mansinho quase sem se ouvirem elas emitem um eco que acaba sempre por cair no abismo da vergonha.
Nas jaulas das feras, está presa a inocência que não deixa os outros acreditarem na magia e na ilusão e a mais pura sinceridade, está presa a alegria que não existe.
Os passos gastos dos caminhos longos percorridos no tempo, manifestam-se num fio fino lá no alto… ao mínimo descuido tombam para o chão, as mãos frias da tempestade da vida fazem grandes habilidades com jogos malabares, alguns fintam as tristezas e fazem golos de alegria, outros desistem à primeira bola que cai também estes são escravos da máscara que os faz desistir.
As horas passam e acaba-se mais um espectáculo, as cortinas fecham-se e os aplausos ficam cada vez mais baixos até que desaparecem como a gargalhada que desaparece no abismo da vergonha.
Já nada é como era para o palhaço, uma simples lágrima até de emoção esborrata o rosto desenhado, depois de tanto esconder o óbvio ele acaba por se adaptar aquela máscara e a realidade já não lhe agrada, ele sente-se como aqueles leões presos nas jaulas que anseiam sair.
É uma tela, um escravo do lápis e do pincel, sujeitado a imitação da alegria transfigurada no seu rosto.
Assumem então o papel de palhaço, desenhando-lhes no rosto um sorriso aparentemente límpido, e ao redor das pupilas as linhas que rasgam o olhar como se facas que lhe rasgam a alma desmoralizada na tentativa de esboçar na pele um olhar cristalino.
A roupa tenta disfarçar os ombros tombados da esperança que se perdeu algures no tempo.
Quando a máscara cai, revela-se a fraqueza, e pequenas gargalhadas que se tentam esconder atrás das palavras lançadas pela voz grosseira e fútil, mas de mansinho quase sem se ouvirem elas emitem um eco que acaba sempre por cair no abismo da vergonha.
Nas jaulas das feras, está presa a inocência que não deixa os outros acreditarem na magia e na ilusão e a mais pura sinceridade, está presa a alegria que não existe.
Os passos gastos dos caminhos longos percorridos no tempo, manifestam-se num fio fino lá no alto… ao mínimo descuido tombam para o chão, as mãos frias da tempestade da vida fazem grandes habilidades com jogos malabares, alguns fintam as tristezas e fazem golos de alegria, outros desistem à primeira bola que cai também estes são escravos da máscara que os faz desistir.
As horas passam e acaba-se mais um espectáculo, as cortinas fecham-se e os aplausos ficam cada vez mais baixos até que desaparecem como a gargalhada que desaparece no abismo da vergonha.
Já nada é como era para o palhaço, uma simples lágrima até de emoção esborrata o rosto desenhado, depois de tanto esconder o óbvio ele acaba por se adaptar aquela máscara e a realidade já não lhe agrada, ele sente-se como aqueles leões presos nas jaulas que anseiam sair.
É uma tela, um escravo do lápis e do pincel, sujeitado a imitação da alegria transfigurada no seu rosto.
Cátia Castanheira
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