O mar ainda me fala de ti. Naquela tarde de Outubro o sol caiu sob os nossos olhos e escondeu-se por detrás da linha do mar, o horizonte. Estava tudo calmo e bonito. Encosta mo-nos a uma rocha que descemos a sorrir, deste-me a mão para eu não cair. O nosso amor era real como aquele mar da Figueira da Foz. A noite caiu sem darmos conta, a lua brilhava e o céu estava carregado de estrelas. Cantamos canções, escutamos o silêncio, demo-nos aos abraços, deste-me os teus beijos, falamos sobre nós. O vento empurrava o teu cabelo contra o meu rosto alegre, os teus lábios subiram marés dentro de mim e a brisa tinha um ar romântico.
Numa noite de Fevereiro tombei o meu barco, o mar não me trouxe ao nosso cais talvez tenha sido eu quem afundou a nossa história, esqueci-me de lhe dizer que te amava. Perdemos o norte e tu navegas sem rumo,
Faz frio, estive na Figueira há uns dias e passei pelo nosso cais, o mar estava agitado, assim como o vento gelado que tencionava cortar-me a respiração, perdi-me longe de ti… “mas ele sabe que fui, quem dele se perdeu, assim que te perdi…”.
Cátia Castanheira