domingo, 30 de agosto de 2009


Ando há meses para escrever sobre o que é o futsal na minha vida, não consigo escrever nada com sentido…abri o Word imensas vezes, olhei diversas vezes para fotografias e estas tentativas falhadas davam resultado pensamentos ainda mais profundos mas nada…o que escrevia apagava, as palavras pareciam não corresponder ao que sinto, talvez porque quero expressar algo meramente banal em palavras um pouco mais complexas, expressar algo como “eu gosto de jogar à bola”…mas e o resto?! Não fico satisfeita se não explicar o que está por detrás… Durante anos o sonho era este. O sonho dos mais pequenos era sempre ser o/a melhor.
O futebol era o meu sonho de menina. Hoje o meu sonho não é ser a melhor, (até porque acho que não há melhores, há apenas pessoas diferentes com características diferentes) é dar o meu melhor…o sonho é esse estou a tentar realiza-lo concentrando-me mais naquilo que me ensinam (apesar do meu poder de concentração ser um pouco limitado) nas criticas que me ajudam a melhorar os meus erros e conservar o que fiz de bem.
O futsal para mim é como a felicidade durante momentos és feliz, sorris e palmas não faltam mas de um momento para o outro sem dares conta vai tudo abaixo com um pequeno erro teu ou de alguém, jogos em que começas de cabeça levantada e sais do campo com ela baixada, momentos em que te apetece desistir…mas depois há um novo dia em que a auto estima aumenta quando alguém ou algo te dá motivos para tal, e isto é um ciclo. E sim já tive momentos muito maus e momentos bastante felizes e quando calculo e junto os dois lados o resultado é o seguinte: sinto que me vou completando, que estou a crescer, a viver, a adquirir conhecimentos, aprender a lidar com diversas situações…e então penso será isto não ser feliz?...sim sou feliz, porque faço o que gosto, dão-me a oportunidade de o fazer, mas apenas uma pessoa pode lutar para que isso aconteça: Eu.
O meu caminho dentro de campo estará ditado na minha ambição, na minha força de trabalho, na minha capacidade de achar que brinco com uma bola e essa brincadeira tem que ser alimentada por vitórias e esforços! E não pensem que o conceito de vitória corresponde só a um resultado positivo no fim do jogo…e claro correrei até ter pernas, enquanto puder deixem-me jogar à bola! Deixem jogar a “Canita”!

Será que é só isto o futsal da minha vida?! Não percam o próximo episódio porque eu também não …

Cumprimentos, Cátia Castanheira

terça-feira, 4 de agosto de 2009



Simplesmente porque é uma das musicas/letras que me dizem muito.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Para ti totózita'10 (:

Enquanto dormes a vida mantém-se acordada, choras e metade do mundo ri, choro contigo e recordo-me que outrora caíram lágrimas na tua camisola vencedora e lutadora.
As vezes abro a janela e penso naquilo que tenho para conhecer, alguns lugares, certas pessoas, e coisas que nunca conhecerei na totalidade. O mundo é demasiado grande, e então olho para o horizonte e vejo-nos cercados por um grande círculo azul, o mundo redondo, eternamente azul, o céu grande e intocável. Ao fechar os olhos sinto pena de saber que há algo mais além, um sorriso, um olhar, uma expressão, um texto, um poema, uma música, uma pessoa, um nome....uma noite, um limite.

Em tom de brincadeira e surpresa a noite carnavalesca pregou uma partida, mascarou-se no meio de crianças e adultos, uma imensa multidão fantochada e enfeitiçada comemoravam a noite mais engraçada do ano e por lá se viam copos espalhados pelo chão da cerveja que se bebeu, ouvia-se o som de festa, e eis que se abriu uma porta, três passos inconstantes de um alguém que parou. Então ouviu-se uma voz imprevista e desconhecida…a partir dai eu tento culpar o destino, seria apenas diferente se em vez de seguir para a frente escolhesse outro lado, outra direcção…mas os passos que dei fizeram-me chegar a ti, este caminho tornou-se mais do que algo que simplesmente aconteceu, não se ficou só pela coincidência.
Uma razão inexplicável transformou-se em realidade.
Em dias de intensos apertos no peito, sinto valer a pena viver, conhecer, arriscar, receber e oferecer.
Toda admiração que sinto substitui os limites que pensava não alcançar e logo reparo que afinal o céu tenta imitar o doce orgulho: grande e intocável. Ainda bem que há dia para que se note nos meus olhos os reflexos dos sentimentos, recordações e imagens. E ainda bem que há noite, para que quando eu os feche possa sonhar.
Cátia Castanheira'10.

sexta-feira, 8 de maio de 2009


Fazer teatro com vocês é para mim:
Explosão de sentimentos,
Aprender a sobreviver aos nervos,
Falhar e aceitar os erros dos outros,
Querer melhorar sempre,
Crescer com cada conversa, ensaio, actuação,
Companheirismo, união, conforto, orgulho, humildade, reconhecimento
Sentimento de realização e plenitude.
Estou realmente muito feliz com este grupo.
Um abraço amigo, cheio de boas recordaçoes!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Uma história

Confesso-te hoje...
O medo que carrego no coração por saber que te vou tendo.
Vamos construindo um castelo com as nossas conversas com o protagonismo de um príncipe que se quer tornar encantado e uma Cinderela desajeitada de sapatilhas que toma em si uma muralha densa e indestrutível.
Confesso-te hoje o que no passado nunca previ
Este carinho que estou sentindo por ti
Confesso ainda que muito antes do dia 14 de Fevereiro eu te achava um lobo mau
Estavas longe de pertencer as minhas histórias, aos meus textos…
Tu, sim tu caminhavas longe da minha vida. E talvez do meu destino. Intuito duvidoso quando estou longe de ti, harmonioso quando os teus lábios tocam os meus e os teus olhos me segredam: estou bem aqui. E assim torna-se mais fácil contar esta história, vivê-la e um dia será apenas mais uma história do Era uma vez o Fim chegará e o principio permanecerá.

Beijinhos para ti.

Cátia Castanheira

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Corpos ausentes

As mãos estenderam-se, os olhos brilharam em união, a voz cantou no silêncio de olhares tímidos para que os sorrisos dançassem. Os corpos existiram na razão, que desconheço.
Hoje só, apenas um corpo por si no meio de tantos outros que passam. São hoje só dois olhos que vêem mas não reparam. São mãos desassossegadas que agarram tudo e não sentem nada, não pegam a força do mundo nem a empatia dos lugares, não sentem o medo de um desejo nem a adrenalina de o viver.
Chegou a Primavera e eu não sinto.
As noites são longas e trazem a saudade de volta o tempo não chega para explicar este vácuo, esta ausência incontrolada que se fixa nas silhuetas do meu corpo.E quando saio para a rua tento respirar o vento e tudo o que sinto é frio.

Cátia Castanheira

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Mistura

Atrás da máscara
Ela é fraca.
Esconde-se
E sorri baixinho,
Ela envergonha-se e diz que é parva.
Finge o Amor que sente.
Por detrás, está um pensamento constante e Honesto.
Uma vontade de viver,
A timidez...
A inocência...
Da criança que brinca com bonecas.
À frente da máscara estão os olhos,
Insinuam uma adolescente
Forte, Destemida.
E ainda a boca que vomita palavras
Grosseiras, sem sentido...gargalhada(mente) fúteis.
O nariz Empinado. Cobarde.
Os lábios são a fronteira
Uma mistura de essência com aparência
Ela é assim,
A máscara que usa transformou-se numa defesa habitual dos seus medos...
Se ao menos conseguisse tirar a máscara
Seria bonito ver quem realmente sois.


Cátia Castanheira

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Reproduçao

Foi ali mesmo naquele espaço pouco aconchegado.
Foi junto á parede rosa que vi caírem as tuas lágrimas apavoradas, onde ouvi os soluços de um acorde desafinado que entrava no tempo certo do meu compasso, as minhas linhas melódicas estavam na expectativa de que pudesses compor uma música, quiseste apenas rabiscar uma pausa para que ouvíssemos o silêncio de que falavam os nossos olhos, desejaste só ficar comigo esperando o que tinha para te dar. Nunca antes tínhamos composto uma melodia assim, ficou gravada.


Cátia Castanheira

sábado, 3 de janeiro de 2009

CSFC


Uma camisola azul-bebé que outrora fora escura tem colado a sigla CSFC que bate no peito e no suor árduo daquelas que transportam ao sábado uma mala laranja.
Calcem as sapatilhas, atem com devoção os vossos atacadores lisos, coloridos ou com estrelinhas, deixemos-nos levar pelo sonho. Olhemo-nos com confiança, sejamos nós próprias uma bola, a escorregar pelo piso, ambicionando que lutem por nós, sejamos nós a movermo-nos umas ás outras, vamos gritar Golo até que no coração se faça sentir o prazer de jogarmos juntas.
Ainda bem que vim e vos conheci, aprendi que a grandeza de uma jogadora não é só sair vitoriosa, a grandeza de uma jogadora é conhecer outras jogadoras, treinadores e assistentes e sentir orgulho por aquilo que somos e pelo nosso nome.


Cátia Castanheira

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Tempos.

Haviam brinquedos espalhados pelo barro da eira, faziam-se bolos de areia por mãos pequenas e inocentes e ouviam-se histórias da vida e orações enquanto o luar atravessava a janela no canto do quarto com quatro paredes brancas e gastas.
Não esqueço as badaladas que o sino lá no alto do vale fazia suar no romper das horas e recordo-me de quando a avó te pedia ‘- Deixa a Catita dormir hoje no meio. E tu respondias ‘-Não, eu vim para aqui primeiro. Julgava-te arrogante, naquela altura nem sabia qual era o significado disso e depois pela manhã esquecia quando tu dizias ‘-Bom dia, dormiste bem? Eras meiga e imploravas para que voltasse.
Eu voltava e ainda hoje volto, mas já não encontro os brinquedos ocultados pelos caixotes do tempo e há muito que o vento comeu os bolos de areia e o barro afundou-se pelo cimento da eira hoje modificada pelas mãos fortes e corpos mobilizados por interesses de trabalho sem a mínima inocência.
Hoje continua a janela ao canto do quarto de quatro paredes mais claras que cheiram a fresco e a novo. Haverá sempre na minha memória um corredor com um quadro de família.
Haverá sempre e para sempre no interior do nosso olhar duas crianças que cresceram inseparáveis.


Cátia Castanheira

domingo, 23 de novembro de 2008

[Pára de fazer sentido]

Era uma vez um cão peludo e careca que gostava de nadar, e num dia de sol á noitinha morreu afogado na terra.
O cão miou aflito de satisfação e disse - estou morto!
Saiu da terra todo molhado e começou a correr devagar para ver se ouvia a Roxinola Caracola que era a mais velha da Selva onde não havia ninguém, pelo caminho o cão lambeu o dorso com o nariz e cheirou umas flores bonitas com a língua, decidiu apanha-las com as mãos para oferecer à Caracola.
Encontrou a Caracola que era doida da tola que estava a chorar desalmadamente, o cão preocupado e a sorrir perguntou:- O que tens Caracola?
Ela respondeu : - A minha vida não faz mesmo sentido.
O cão puxou um lenço do bolso e limpou-lhe o rosto, sentaram-se num banco de madeira que era de pedra e ele ofereceu-lhe as flores.
- As coisas boas da vida nem sempre têm que fazer sentido.


Cátia Castanheira

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Rascunhos :)

Rasto de folhas de papel, enrolam-se as páginas em ciclos viciosos que perturbam a alma branca traçada por linhas planas interceptadas por riscos não tão perfeito quão a plenitude de um lápis aparado. Escrevem sobre pensamentos e actos, redigem o correcto e incorrecto, desejam a perfeição das suas próprias e ridículas ambições.Gracejam das letras minúsculas e temem as maiúsculas.
Em mim tenho em posse a mão que tem no seu conteúdo um pouco de inspiração que me permita ir mais além das ultimas frases expostas, arrisco fechar os olhos e sentir as mãos a quererem agarrar as emoções que traduzo por palavras e sem eu dar conta as veias a encheram-se de um liquido transparente que no momento de auge ejectam a inspiração interior.Redijo, apago, risco e retrocedo. O Prazer de escrever é me
indescritível, nasceu inacabado e vai crescendo...Completa-me.

Cátia Castanheira

sábado, 19 de julho de 2008

A tela .

Insiro o pincel na tela mergulho-o no verde dos olhos, no castanho dos cabelos, no bege da pele, rodo-o misturo um sem fim de cores na tentativa de encontrar a cor ausente.
Disperso-me pela tela, em linhas rectas procuro o meu caminho, é neste quadro que anseio pela mão do artista.
Miro a sombra que paira sobre o chão, meramente a minha sombra que corre pela alcatifa da sala do pintor, tentado esconder o meu ego, talvez seja o medo de ele ficar marcado no quadro…
Anseio pelo esboço, anseio pela cor ausente…anseio rasgar o papel e apagar os riscos mal feitos do passado.
Eis o dia em que ele me pinta, traçando o destino de um corpo que perdera a cor, um corpo que se separa da sombra, um corpo que já não o é.
Violentamente atira a minha alma dorida e confusa para um pedaço de pano onde pinta os seus quadros, e dá voltas e voltas ora um pouco de preto ali, um pouco de rosa ali, agora azul…mais um risco outro e outro risco.
Resta a sombra que ainda dança pelo corredor, e em momentos de sol, esconde-se atrás do ombro do artista apreciando a obra de arte a que eu mesma me sujeitei, na verdade entreguei-me ao dono do pincel que anos mais tarde morrerá.
Transformei-me num quadro de corredor de uma casa abandonada onde em cantos obscuros ainda se ouve os gritos de medo, nas gavetas das mobílias guardam-se nostalgias, e as paredes começam a perder a cor, o tecto começa a desabar, mas ainda na alcatifa mora a sombra que antigamente fugia da tela.
Por entre tempestades, entre os raios de sol, entre a noite…o abstracto e o real, entre a vida, confusões, na solidão … ainda resta a sombra que protege o ego.


Cátia Castanheira.
( Para ti Lena :).. )