sexta-feira, 27 de junho de 2008

Saudade emocionante


É ao passar por aquela rua que de mansinho bate as portas do coração a saudade.
Assim que as abro, também os olhos sentem, então são palavras e imagens que desde o início estiveram guardadas começam aos pulos do lado esquerdo do peito.
Há um turbilhão de emoções que se soltam, as vezes até parecem ondas que agitadamente me fazem mergulhar numa imensidão de momentos.
É sobretudo de vocês que tenho saudades, os lábios abrem-se automaticamente, alongam-se como um elástico permanente, o tal sorriso.
E ao olhar para o meu horizonte eu consigo ver-nos a nascer e a crescer, A semente semeada por todos nós deu frutos saborosos, até que um dia se torna numa grandiosa árvore com grandes ramos, que transbordarão orgulho, e de tanta emoção eles chorarão clorofila substituindo as lágrimas húmidas que tantos bons momentos fazem escorrer pelo rosto alongado pelo tal “elástico”.
Cátia Castanheira

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Só.



Um corpo só e frágil,
O coração que ansiosamente anseia paixão.
Em silêncio anseia o tal abraço.
A essência perfeita da palavra,
A emoção nunca antes sentida.
Tudo começa nos olhos,
Escorre amor pelo rosto entristecido,
Talvez seja a prova.
Os lábios gretados do tempo que passou,
Esses nunca mais beijaram,
Nunca mais sentiram o calor do amor…
No espelho cravam-se as imagens.
Nunca chegou a ser perfeito
Nunca ambicionamos perfeição
Éramos felizes assim
E cada sorriso avistado, prende o olhar
A mente ainda posta no espelho
Analisa cada pormenor, cada gesto
O meu vento, o meu ar
Só nostalgia.


Cátia Berardo Castanheira.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Palavras...

As tuas palavras leva-as o vento,
Para um lugar rumo ao infinito,
O mar, talvez o mar…
Que as enrola como papéis inúteis
Á noite, nas ondas escondem-se as reticências
Que davam continuação a nossa história
As vírgulas afundam-se
A respiração já não existe
Os olhos, então fecham-se
E as palavras tornam-se salgadas
Já não existe anzol que as salve
O vento, leva-as com força
Para o infinito
Até lá atravessarão sete mares
E darão voltas e voltas
Em diferentes ares
Lá estarão seguras
E serão apenas…
Infinitas.


Cátia

sábado, 24 de maio de 2008

Naquele dia 14 de Maio de 2008, naquela vila de Soure, naquela sede da Santa Casa da Misericórdia, passámos momentos que jamais esqueceremos…

-Vai começar…é agora o momento – dizia a stora Ana Paula - Calem-se…oh Cátia não te ponhas assim.
- Ai Adriana, que tenho de ir ao WC…
- Chiguuu, ‘tá a começar
As lágrimas de nervos iam caindo…”Ai não aguento, acho que não consigo” – dizia a Ângela em angústia.
- Força, tem calma – diziam os que ali estavam na tentativa de conforto.
Tuturummm tututrummm, as batidas da caixa já soam, abre-se o pano e…uma plateia inteira aguarda ansiosamente as primeiras palavras.
Ao entrar no palco tudo passou, os olhos já secos brilhavam imenso ao ouvir os primeiros risos….
“Estas pessoas saíram todas de casa só para nos verem? Ai isto vai dar barraca”- pensávamos.
A mocidade já marchava, as mulheres do povo já em cima do palco faziam rir os demais que ali se encontravam… Entra o Zé Povinho com as seus resmungos habituais e ainda bem que chegou porque quando estão as três personagens em palco sentimo-nos mais seguras!
Demos por nós e já o Salazar estava em palco acompanhado pela sua senhora.
- era a dona Maria Jesus Caetano Freire.
- a Presidenta, a Primeira Dama?
- (…) a mulher era só a governanta.
Os pensamentos eram inevitáveis “olha o Zé Povinho a meter-se com o publico, aquela Ângela é doida, ai Sara dá-me a deixa que me deu uma branca, ah é isso, já me lembrei.”
Duas prostitutas e uma Nossa senhora entram em palco, é a loucura, as pessoas riem-se, dão gargalhadas, “felizmente estão a gostar”- pensávamos enquanto fingíamos beber o vinho na tasca.
Agora é a vez das duas “Tias”, risos e mais risos suavam naquela sala.
“Morre” o Salazar e dá-se o funeral…as carpideiras (fingidas) choram a morte do seu mui amado presidente, gritam enquanto outros se riem.
Dá-se o 25 de Abril e acorda-se 34 anos mais tarde…
Entra o cromo da bola com a sua “tranquilidade”… Tudo “acabou” com as mulheres do povo em cima duma Égua, que virou Cavala, o Zé povinho atrevido a meter-se com o publico, e os rapazes e as storas a cantarem “A paz, o pão, habitação, Saúde Educação!”…
O pano fechou-se, e voltou a abrir-se ao som daquelas palmas maravilhosas, era o reconhecimento por parte de toda aquela multidão. O reconhecimento do nosso valor, do entusiasmo, das gargalhadas, dos momentos mais sérios, do sucesso…
Não existem palavras para descrever, só nos ocorre uma, a mais verdadeira e sentida: “obrigada”, apesar de acharmos insuficiente para demonstrar este sentimento, o quanto ficamos felizes com as palavras que ouvimos…enfim, estes foram alguns dos bons momentos que passámos nesta deliciosa peça.
O sorriso, a alegria, o orgulho que sentimos são as forças que precisamos para não deixarmos este percurso maravilhoso. Não queremos um fim, pelo contrário, quero mais e mais, queremos um sem fim de união, queremos que esta felicidade e prazer de fazer teatro com pessoas que adoramos perdure anos sem fim! Desejamos que este grupo que tanto nos uniu, que tanto nos fez sorrir, nos fez crescer continue, queremos mais momentos de cumplicidade e amizade, dentro e fora do palco, queremos aqueles momentos que tanto nos alimenta o ego, que tanto enriquecem o nosso coração feliz por todo este episódio ter acontecido e entristecido com a possibilidade de terminar…
“Uma desgraça nunca vem só” transformou-se em “uma alegria nunca vem só” e não veio mesmo, veio cheio de coisas novas: portas abertas, horizontes esplêndidos bem há nossa frente, amizades novas e fortalecidas, e tantas outras coisas...
Por tudo o que foi descrito imploramos que não nos apague a chama que nasceu em nós, que não nos destruam o sonho…
Com este teatro mudámos muito, (Ângela e Cátia) crescemos e aprendemos. Descobrimo-nos uma há outra, vivemos momentos únicos, especiais inesquecíveis. Conhecemo-nos e descobrimos que somos iguais, passámos de simples colegas de turma a verdadeiras amigas…um sorriso diferente, um olhar divertido, uma palavra amiga fez mudar tudo…tornamo-nos importantes uma para a outra, inseparáveis.
Enfim, muito por causa do teatro, pela união que tivemos de ter, pelos momentos incríveis que passamos em cima do palco, fora do palco, naquela tarde de tantas risadas, de tanta cumplicidade e amizade…

Não tirem este sonho tornado real das nossas vidas, porque do coração nunca ninguém as poderá apagar!
Aguardamos ansiosamente a(s) próxima(s) actuação(ões)

Obrigada.

Ângela Ribeiro

Cátia Castanheira

terça-feira, 20 de maio de 2008

Salva-me


Traz me de volta a esse lugar
Liberta-me das masmorras
Acorda a minha alma que dorme
Em um lugar frio e escuro
Depressa…
Estou a congelar
Sinto a alma a fraquejar
Estou a perder os sentidos
Já não penso, Já não sinto
Estou a desfazer-me, dilacerar-me
Se eu gritar, ouves?!
Não… já não me ouves
Já só escrevo, são meramente palavras
Não tenho voz, Não tenho cheiro
Não consigo ouvir, nem cheirar
Apenas escrever

Aqui não há sol, não há brilho
Aqui é somente noite
Noite sem estrelas, sem lua
Sem desejo de bons sonhos
Sem um beijo de boa noite

Salvas-me?Mas...

A tua fraqueza não te vai deixar chegar ao fim
A tua falta de vontade vai falar mais alto
A tua cobardia tem medo deste lugar.

Cobardia...


Cátia

domingo, 18 de maio de 2008

Uma realidade naturalmente natural ll



Lá ficámos os dois na nuvem branca e fofa, que passado dias ficara escura e molhada, molhada da chuva que voltou a cair…
O anjo partiu, levou com ele a magia que trouxera, fiquei eu e o passarinho mas a minha hora chegou, vou descer as nuvens, rumo a casa…
Sinto-me cansada, as minhas asas dilaceraram, que desgaste, que peso que tenho, peso de nada…
Cansaço, apenas cansaço, caminhei tanto, desci quase mil montanhas, é como no mundo real, quanto mais se sobe maior é a queda.
Finalmente cheguei, onde tudo começou, olhei para aquela janela, que me fez voar, que me fez andar por caminhos diferentes, aqui iniciei a viagem, que agora terminou.
Fui à porta, a tarde já estava a acabar e mesmo assim estava calor, pequenos raios de sol que aqueciam a Terra e os corpos dos mortais, ingredientes para um dia perfeito, mas a mim faltava-me algo, o calor não me aquecia, o coração gelado, a alma fria, era assim que me sentia perante aquele clima…”se ao menos estivesses aqui anjo.” Pensava eu.
Pertencemos a mundos diferentes, tu ao mundo da magia, dos anjos, das asas, eu pertenço ao mundo da realidade, dos sonhos que se realizam apenas no teu mundo.
Enquanto isso continuarei a sonhar, enquanto sonho sou extraordinariamente Feliz, enquanto penso em ti (re)nascem as asas…mas tudo isto não passa de pensamentos, o tempo vai passar, e talvez os nossos mundos se juntem novamente, talvez o sonho se torne realidade ou a realidade se torne um sonho.
Vou libertar o passarinho, voa passarinho voa, como nunca…
Vou fechar os olhos, boa noite e bons sonhos.
Ate sempre Anjo.
Cátia

sábado, 17 de maio de 2008

A caneta

A tinta preta ganhou vida, as palavras assumem uma identidade, as folhas dos cadernos estão hoje escritas por pensamentos, por coisas que me incomodam, por sentimentos presos em mim, que se libertam.
Estou cansada de telemóveis, estou cansada de coisas fúteis, de caminhos fáceis, sinto-me bem assim, natural.
A arte é um poeta escuro, que escreve…ora deprimido, ora feliz, um pintor que pinta, um cantor que canta, cada um exprime como quer ou como pode, o importante é fazer aquilo que nos completa, que nos esboça um sorriso, uma lágrima, um olhar mais brilhante, que nos emociona.
Adoro sentir-me natural, a alma fica pura, e a imaginação começa a ganhar voz., paira sobre um paraíso onde tudo é escuro ou brilhante. A imaginação não tem sequer limites, os limites enlouquecem, mas eu respeito-os.
Uma parte depende de nós, aos outros compete-lhes completar a vida, eles mudam-nos, desequilibram e equilibram o estado de espírito, alguns levam-nos o sorriso, outros levam-nos as lágrimas, uns simplesmente existem, a mim compete-me viver sobre regras e contra regas, conviver, ouvir, olhar, agarrar, pensar…viver simplesmente.
O que me move não sei, mas o importante é que me faz mover a caneta…


Cátia

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Uma realidade naturalmente natural

Lentamente subo as escadas, abro e fecho portas, caminho em ritmo lento, calmo e suave, chego a janela pronta para olhar, pronta para pensar no que me vier ao pensamento.
Debruço me sobre o regato frio e húmido, a frente dos meus olhos um vidro molhado da chuva que lá fora cai…Fico ali horas a observar tudo aquilo, se me apetecer pensar sobre porque a chuva cai penso, mas sou logo invadida por pensamentos antigos, palpitações impulsos no coração.
Abro a janela, para sentir o vento o frio que me bate na pele, o frio incomoda? Mas porque? o frio dói…o vento chateia-nos, mas desta vez não me importo, hoje nada me magoará mais, nada me vai chatear.
Com o frio e vento sob mim, eu dispo-me, fecho os olhos, o cabelo teima em bater me nos lábios, o cérebro fixa o som da chuva e de toda aquela naturalidade, se fosse livre eu voaria, andaria sobre nuvens, e seria como um pássaro, teria asas como um anjo...
Mas hoje chega de sonhar, hoje quero ser eu apenas eu, quero adormecer sobre mim, explorar-me, quero sentir a minha alma, quero sentir me como um anjo, somente natural, sem duvidas, sem sonhos, sem uma realidade certa, e só amar, apenas amar e amar, amar o que não sei, mas Amar tudo.
Voar, não preciso de voar alto, só preciso de me sentir com asas, quero tanto.
A chuva parou, mas o frio continua, e desta vez o frio magoa-me mas não me importo, um anjo suporta qualquer dor… e hoje sou um anjo.
Posso me imaginar a pular nas poças de água, a encharcar-me com lama, molhar os cabelos, sentir-me livre como um anjo.
Deitar me numa nuvem a secar, abraçar a luz, beijar algo frio, e derrepente chegas tu… chegas tu meu anjo, com um pássaro e um cobertor na mão e dizes me que um anjo não precisa de sentir frio para ser feliz, e ali ficamos os dois em cima duma nuvem.

Cátia